Blefarospasmo

O que significa Distonia?

Distonia é o termo usado para descrever uma doença em que espasmos musculares invonlutários ocorrem, levando a modificação da postura.

Podem afetar uma parte isolada do corpo, como os olhos, o pescoço, uma perna ou um braço, e é chamada de distonia segmentar. Se várias áreas do corpo estiverem afetadas , chamamos de distonia multifocal.

Podemos ter ainda somente um lado do corpo afetado (hemidisonia) e por fim, todo o corpo (distonia generalizada). Blefaroespasmo Essencial Idiopático é uma distonia focal dos músculos que circundam os olhos (blefaro é derivado de palavra grega "pálpebra"). Acomete principalmente o sexo feminino e a idade média do início dos sintomas é ao redor de 56 anos. O sintoma inicial do blefaroespasmo pode ser um piscar das pálpebras incontrolável, especialmente em ambientes com muita luminosidade.

Em alguns casos, no início, somente um dos lados pode estar afetado, e os espasmos são fracos, de curta duração, mas com o passar do tempo, geralmente, ambos os olhos ficam comprometidos e a intensidade e duração aumentam.

Os espasmos podem se tornar suficientemente freqüentes e intensos impossibilitando os pacientes enxergar. Os espasmos podem ficar localizados na região dos olhos, ou progredir envolvendo outras áreas da face, como boca e músculos do pescoço, recebendo então, o nome de síndrome de Meige. Se houver comprometimento extenso, incluindo a mandíbula, trata-se da Síndrome de Brueguel.

Por que ocorre a Distonia?

Acredita-se que os espasmos musculares e alterações que eles causam, são devido à uma disfunção em uma região do cérebro chamada núcleos da base. Eles estão situados na base do cérebro, agindo como sofisticado computador que controla os movimentos musculares.

Cada movimento que realizamos envolve contração cuidadosamente planejada de vários músculos, em uma seqüência precisa no tempo.

Esse padrão de contração muscular é feito automaticamente, isto é, sem a participação da consciência. Não temos consciência de quais músculos devemos contrair para executar um movimento e quando relaxá-los.


O cérebro automaticamente executa esse trabalho e acredita-se que os núcleos da base sejam responsáveis por isso.
Quando os núcleos da base estão comprometidos, músculos errados se contraem quando tentamos movimenta-los, causando espasmos.

Distonia, é portanto, uma doença do movimento, que não precisa necessariamente envolver nenhuma outra função do cérebro. Assim, intelecto, personalidade, memória, emoções, visão, sensibilidade, e outras funções estão normais.

Tratamento

Pacientes portadores de blefaroespasmo essencial geralmente consultam inúmeros especialistas de maneira desesperada, na procura de diagnóstico e tratamento. Muitos já tentaram diversos tipos de tratamento, como hipnose, terapia de relaxamento, acumpuntura, homeopatia, ervas e etc... Todos sem resultados. Devido a essa situação bastante desagradável e dificuldade no diagnóstico desta doença rara, o estado emocional dos pacientes se altera, induzindo os médicos, erroneamente, ao diagnóstico de origem psicogênica, encaminhando os pacientes a psicólogos e psiquiatras.

Toxina Botulínica Tipo A

A Toxina Botulínica Tipo A, no Brasil recebe o nome comercial de Botox, medicamento produzido desde 1982pelo laboratório Norte Americano Allergan, sob o nome de Ocullinum, e utilizado no tratamento de distonias, como blefaroespasmo.

Constitui na melhor modalidade de tratamento temporário. Tem sucesso em aproximadamente 80-90 % dos pacientes.

É uma neurotoxina, produzida pela bactéria "clostridium botulinum", causadora do botulismo, e no inicio utilizada para tratamento de estrabismo. Esta droga interfere nas terminações neuromusculares, relaxando o músculo nas regiões tratadas. A droga é aplicada na região subcutânea da pálpebra superior, inferior, supercílio e outros locais que se julgarem necessário. Ocorre melhora sensível do quadro clínico e sua eficácia varia de 3 a 5 meses, quando se faz necessária nova aplicação.

O tratamento é realizado no consultório em alguns minutos, e não há efeitos colaterais sistêmicos descritos. A melhora dos sintomas ocorre 2 a 4 dias após a aplicação. Os efeitos colaterais locais são leves e bem tolerados pelos pacientes. Pode ocorrer sensação de olho seco no início, bem controlada com colírios lubrificantes por alguns dias ou semanas. Nem todos os pacientes respondem a esse tratamento ou notam uma diminuição do efeito após repetidas aplicações no decorrer do tempo. Nesses pacientes, devemos pensar em outras modalidades de tratamento, como o cirúrgico.

Tratamento Cirúrgico

Pacientes portadores de blefaroespasmo, funcionalmente deficientes visuais e que não respondem ao tratamento com toxina botulínica, são candidatos a cirurgia. Atualmente, a cirurgia realizada é a Miectomia.

Consiste na remoção de parte dos músculos que estão ao redor dos olhos e supercílios. Também é uma cirurgia reparadora aonde removemos pele e músculo, corrigindo queda do supercílio e das pálpebras. O seu índice de sucesso relatado na literatura médica é 70%. Atualmente é feita com auxílio do laser de carbono.